ERREI. E AGORA?

Friday, 13 May 22

A PRINCESA E O SAPO
Como terapeuta, toda interação com pessoas e o ambiente pode ser uma oportunidade de aprendizado. Aprendo muito em conversas informais com as pessoas ao meu redor e por isso, me considero privilegiado.
Estes dias após conversar com amigos em momentos diferentes, passei a refletir sobre questões que nos atravessam e causam muitos sintomas. Uma dessas questões é o erro.
Em muitas crenças o bem e o mal estão presentes no cotidiano das pessoas, criando uma relação direta com o certo e errado. Tudo que é certo atribui-se ao bem e tudo que é errado relacionamos ao mal.
Essa crença cria uma resposta automática inconsciente que, tudo que fazemos e que não é considerado certo é ruim. Por isso nos cobramos tanto, não aceitamos certos deslizes, não podemos ceder ao mal.
Até que ponto realmente somos capazes de saber o que é bom ou ruim?
Na Psicanálise entendemos que o Eu precisa atender as demandas de três instâncias que exigem respostas. Essas instâncias são: O Id, carregado de impulsos e Desejos; o SuperEu que deseja manter tudo rigidamente dentro das regras e o Mundo Externo que exige muitas posturas e atitudes que contrariam o Id e o SuperEu.
O Eu(você ) precisa lidar com constantes conflitos entres estes três e ao mesmo tempo satisfazê-los. Nesse sentido ele precisa “alimentar o inimigo na dose certa”. Se não os alimentamos, logo eles falecem e o Eu, como parte integrante deles falece junto. Se os alimentar demais logo ficam muitos fortalecidos e atacarão o Eu com muita força, com risco de exterminar o Eu.
Qual seria então a melhor saída?
O Eu precisa dosar delicadamente o alimento(satisfação) de cada um deles, buscando um equilíbrio entre eles. Se o SuperEu estiver no controle, teremos uma vida tão regrada que poderá perder o sentido, sendo uma vida apenas de regras a serem obedecidas e a busca por realização dessas regras podem exterminar Id e sobrepor-se as regras externas. Se o Id estiver no controle, a tendência será a regra única de satisfação a qualquer custo, não existindo qualquer outra regra moral ou social. Se o Mundo Externo estiver no controle, não seremos nós vivendo, deixando nossa vida de ter razão de existência .
Isso tudo nos leva a refletir que para mantermos esse equilíbrio, precisamos em algum momento ceder aos caprichos de uma dessas instâncias contrariando as outras.
Aqui podemos incluir os erros ou deslizes que as vezes cometermos, desejamos ou pensamos.
Certos momento de alguma forma precisamos nos permitir, para que possamos manter o equilíbrio.
Se cobrar constantemente pode ser um sintoma de falta de equilíbrio emocional, onde o outro ou o SuperEu tem tomado as rédeas de nossa vida. Temos uma necessidade natural de em algum momento nos permitir. E se erramos, precisamos primeiro entender até que ponto esse foi um erro ou apenas uma forma de dosar o desejo de uma dessas instâncias.
Erros são formas de aprendizado e não uma sentença de condenação. O Eu precisa estar fortalecido para lidar com isso de forma madura e até sentir prazer em ao permitir essas satisfações.
Quebrar algumas regras impostas podem na verdade ser a melhor saída para viver bem e manter a harmonia entre o mundo interno e externo.
Não viver se cobrando pelos erros e sim aprendendo intensamente com eles tem um valor incalculável.
Permita-se a sentir, a amar, a desejar e até errar se o seu erro não prejudicar o outro. Permitir-se pode ser uma forma de se libertar.
A vida já é pesada demais, não aumente esse peso sem necessidade.
Bora lá viver mais feliz.

#crescerstz #psicanalise #terapia #depressao #supereu

  • Posted by MGRodrigues at 08:21:48 in Nosso Dia

A PRINCESA E O SAPO, A REALIDADE NÃO COMENTADA.

Friday, 8 April 22

A PRINCESA E O SAPO

Esta é uma análise de uma fábula conhecida onde assuntos importantes são discutidos, ao mesmo tempo é apresentada uma reflexão voltada para autoconhecimento e critica social. Não é apenas um texto, mas uma oportunidade de rever conceitos e percepções deixados de lado. Permita-se saborear os próximos minutos e deixe seu comentário.

A PRINCESA E O SAPO, A REALIDADE NÃO COMENTADA.

Na entrada de casa tem um singelo jardim, que chamamos de sítio da Maria, pois em um espaço tão pequeno ela conseguiu reunir uma diversidade de plantas frutíferas, hortaliças e ornamentais.

Num destes dias encontramos um convidado diferente nesse jardim, um sapo. Ao primeiro olhar parece um animal que causa pavor em muitas pessoas, sendo tratado como nojento, perigoso, estranho etc. Mas algo interessante aconteceu. Ao ver aquele ser, juntamente com meu menino resolvemos tirar uma foto e após várias tentativas uma delas ficou quase perfeita, deixando o animal com um aspecto maravilhoso.

SAPO NO JARDIM

Após observar a foto que deixou aquele animal charmoso, fui levado a refletir sobre uma fábula que conhecemos como A Princesa e o Sapo. Esta fábula reflete algo presente em nossos dias e que passa desapercebido por nosso ser consciente. A partir desta fábula, podemos produzir algo útil em muitos momentos de nossa vida. Não vou reproduzir a fábula toda por falta de espaço e tempo, mas ela é facilmente encontrada na internet para quem desejar conhecê-la.

• A BOLA DOURADA: Primeiramente temos uma princesa feliz com sua bola dourada que ganhou de seu pai, o rei. Ela sai pelo jardim brincando com a bola e em determinado momento a bola se perde, cai no lago. Essa bola representa valores e princípios que a princesa tem, foi a partir dela que o sapo teve a oportunidade de conseguir seu desejo realizado. A princesa só aceitou o pedido do sapo porque a bola (o mais importante para ela), estava em perigo naquele momento. Muitos realizam feitos incomuns porque seus valores estão em risco, valores diferentes daquelas pessoas na platéia observando. Aquela bola precisava ser recuperada e para isso, cedeu ao desejo do sapo. Quantos se colocam em perigo porque acreditam que seus valores, princípios, crenças, objetivos etc. estão em risco, dando espaço para que outros interfiram, participem ou até controlem suas vidas? Quando nossos valores são valores externos, mesmo que aparentemente bons, eles são armas que podem ser utilizadas contra nós.

• A PRINCESA IGNORA SUA PROMESSA AO SAPO: Um dos primeiros atos comuns ao cometermos um erro é ignorá-lo, isso pode até ajudar de início, mas logo gera um problema maior. A princesa abandonando o sapo mesmo depois de prometer que ele poderia morar no palácio com ela, é uma simbologia de como tentamos jogar nossas sujeiras para baixo do tapete, isso mesmo, sujeira para baixo do tapete. Quando fugimos de nossos problemas estamos apenas dando um maior espaço para que eles possam se fortalecer, crescer e multiplicar. Quantas simples mentirinhas se tornaram histórias sem fins? Quantos pequenos problemas terminaram com relacionamentos ou vidas? Não somos ensinados a encarar nossos problemas, simplesmente continuamos empurrá-los com a barriga.

• O SAPO VAI ATÉ O CASTELO NA HORA DO JANTAR: Na fábula, o sapo poderia ter ido a qualquer hora no castelo, mas por que ele apareceu justamente na hora do jantar? Simples, nossos problemas internos e externos tendem a aparecer quando estamos relaxados, sem qualquer posição de defesa. Naquele momento, a princesa dificilmente poderia escapar das artimanhas do sapo que, por algum motivo queria morar ou ficar no castelo. Os problemas ignorados sempre aparecem na hora mais inoportuna, causando um constrangimento maior que o esperado.

• O REI FEZ A PRINCESA CUMPRIR SUA PROMESSA: Na fábula, o rei diz para a princesa cumprir o que promete, fazendo aqui o papel de juiz. Em nossa vida, quando somos confrontados com nossos problemas, temos que apresentar uma solução justa, uma que seja compatível com nossa situação diante de um ambiente externo e social. Aqueles problemas que criamos ainda que de forma escondida, quando não conseguem mais ficar debaixo do tapete ou dentro de nós precisam de um tratamento (julgamento) externo. Eis um fato interessante, a princesa não conseguiu resolver aquela situação, precisou da intervenção do rei. Existem muitos reis que entrevêem em nossa vida, traduzidos por amigos, pais, cônjuges, justiça, terapeutas, médicos, religião etc. Quando não somos capazes de cuidar de nossos dilemas, precisamos de ajuda externa. Se a pessoa não reconhece isso, vai continuar a dar vitamina para o problema de forma que, em algum momento não consiga mais resolver.

• O SAPO FICA NO CASTELO, DORME COM A PRINCESA: Em uma das versões da história o sapo dorme na cama da princesa, não apenas no palácio. Isso demonstra que nossos problemas não resolvidos podem nos atingir até mesmo em nossa intimidade. Intimidade aqui significa algo muito pessoal, que pode abranger nosso corpo, mente ou ambiente. Se no início o sapo pediu para estar no castelo, agora ele está na cama da princesa. Os problemas as vezes aparentam ficar no ambiente externo de nossa vida, mas quando damos conta estão dentro de nós, invadindo nossa privacidade e perturbando nosso sono.

• O BEIJO: Existem duas versões mais conhecidas sobre o beijo. Em uma o sapo começou a ficar tão bem-visto pela família real que a princesa o beijou, não tinha mais nojo dele. Em outra versão, o sapo disse que se a princesa o beijasse iria embora. Independente de qual versão você conheça, as duas colocam uma questão importante, o ambiente. A princesa apenas beijou o sapo porque o ambiente estava mudado, suas percepções eram diferentes e isso permitiu que o sapo alcançasse seu objetivo final. As pessoas podem ser facilmente iludidas se o ambiente onde estão foi devidamente preparado, por isso existem pessoas em situações deploráveis apoiando seu mestre, seu líder, seu amor, seu ideal. Isso é muito comum no ambiente social que vivemos, onde um mendigo que se aproveita de uma mulher vulnerável, exibindo verbalmente a intimidade dela, é tratado como o herói, ganhando beijos e abraços. Outa situação semelhante é a polarização política atual, onde as crenças em líderes tornam pessoas comuns em heróis com poderem sobrenaturais. Essa mudança do ambiente estimula a princesa fazer algo que em outro momento ou em sã consciência não faria.

• O SAPO VIROU UM PRINCIPE: O auge da história é o momento em que o sapo se torna um príncipe, se casa com a princesa e os dois viveram felizes para sempre. Na história não é contado o motivo pelo qual o príncipe foi condenado a ser sapo, podendo dar margem para o pensamento de uma condenação merecida. Também podemos pensar que após o ambiente ter sido alterado, o sapo continuava ser sapo, mas percebido como príncipe. Uma vez que durante todo o conto ele manipulou aquele ambiente, as pessoas e a história para conseguir o que desejava, convencer a família real que era um príncipe não seria algo difícil.

Esta é apenas uma interpretação da fábula que pode muito bem aceitar sua interpretação, mas independente da interpretação ser literal ou não, nos faz refletir sobre muitos aspectos que contêm princípios, valores, percepção do ambiente, nosso estado atual, questionarmos se nossas crenças e objetivos momentâneos são realmente nossos ou uma ilusão como o oásis no deserto.

TAGS
Psicanalise; Autoconhecimento; Fábulas; Sentimentos; Ilusão; Decepção; Politica; Mendigo; Princípios; Crenças; Relacionamento Abusivo; Leitura.

O disfarce Ideal.

Monday, 14 February 22

A atual pandemia não mudou as pessoas, simplesmente demonstrou o que elas são

Cada situação tem suas peculiaridades e por isso não cabe na Psicanálise generalizações. Isso não exclui a existência de padrões que são percebidos em situações aparentemente diferentes.
Um padrão comum é o fato de uma pessoa ou agrupamento de pessoas agirem naturalmente demonstrando suas intenções que, avessas as normas e condutas sociais provocam uma reação de ignorância, um certo poder de invisibilidade criado por aqueles que incomodados preferem ignorar, tratar a questão com pouco interesse ou até mesmo, sorrir como se aquela fosse uma atitude de criança inocente.
Para exemplificar melhor isso, podemos citar aquele parente inconveniente que em uma reunião de família fica o tempo todo soltando farpas e asneiras no ar, os membros da família incomodados ignoram tal pessoa, fazendo assim a paz reinar no ambiente. Outro exemplo prático pode ser encontrado naquele colega encrenqueiro da escola que, provoca todo mundo o tempo todo, ao ponto de suas provocações passarem a ser toleradas, como se fosse algo normal e aceitável dentro daquele ambiente. Enfim, porque não citar os famosos golpistas com sua cara limpa enganando e iludindo pessoas que, esperando um bandido armado e com uma máscara para se esconder, acabam golpeadas por eles, que nada tem parecido om o atual estereotipo de bandido, comumente combatido.
Fazemos isso o tempo todo, tentamos tornar invisível aquilo que nos incomoda, jogando para baixo do tapete, sabendo que está lá, mas enquanto estiver fora do alcance da visão, está resolvido o problema.
Assim também fazemos com nossos desejos, angústias, traumas e sentimentos que tanto nos incomodam. Lançamos neles uma capa de invisibilidade, embora estejam lá não podem nos incomodar. Desde crianças ouvimos aquele famoso ditado em que aquilo que os olhos não veem o coração não sente. Em outras palavras, posso ser iludido, desde que eu não veja ou perceba. Na realidade, aquilo que nos incomoda vai continuar lá, mas não temos coragem de olhá-lo.
Quando resolvemos fazer análise, escolhemos explorar esses seres invisíveis, para compreendê-los e assim conseguir enxergá-los de uma forma diferente, os enxergando de forma diferente, os sentimos diferentes. Então poderemos dizer que da forma como os olhos enxergam o coração sente.
MATEUS GAMA DA SILVA RODRIGUES

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Quem realmente somos?

Thursday, 10 February 22

Muitas vezes por causa das exigências externas, as pessoas procuram mascarar ou esconder quem são. Isso não tem nada haver em a pessoa ser boa ou mau, mas quase sempre em conseguir aprovação social.

Para ser aceito entre os amigos, familiares ou no trabalho, as pessoas procuram agir de forma artificial para garantir a satisfação do outro e muitas vezes, contrariam seus próprios desejos.

O que a maioria não percebe, é que quando estamos sob pressão, relaxados ou com algum tipo de poder, passamos a diminuir os cuidados com essa aparência, transparecendo ainda que nos pequenos gestos, nossas reais intenções ou desejos.

Temos a facilidade de acreditar que essa maneira de viver é nossa e não do outro, criamos uma ilusão e quando somos confrontados com isso, como em uma das situações anteriores, sofremos. Sofremos muito.

A terapia nos ajuda a lidar com esse conflito entre nossa realidade externa e interna. Faça análise e veja como faz bem cuidar destas questões que levam pessoas ao desespero. 
Conte conosco.

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O medo de dizer não

Thursday, 25 February 21

O não é uma palavra muito pequena, mas consegue ser carregada de uma carga emocional tão grande que, em alguns momentos, dizê-lo traz sofrimento. Embora para alguns dizer não é normal e, dizer esse constante não dificilmente produz consequências sentimentais. Para outros, o fato de não conseguir dizer não é capaz de deixar sequelas no seu psicológico.
Muitos podem ser os motivos que impedem uma pessoa de dizer não, e se forem relacionados aqui, poderiam gastar tempo e deixar a leitura cansativa. O fato a ser observado é, se a falta do não está causando dor e sofrimento. Sofrimento pode ser traduzido aqui em fazer tarefas com constantes angústias, permitir que outros tomem decisões em seu lugar, não exercer suas vontades, medo de ser mal interpretado, necessidade de ser aceito etc. Todas as vezes que o falar não produz sentimentos dolorosos, esse precisa ser repensado. Existem casos em que o indivíduo necessita passar por terapia para aprender a dizer o não.
O dizer não pode ser a maneira de dizer sim para nosso ser interior. Sim para mim, sim para meu tempo, sim para minhas condições, sim para minhas necessidades, sim para satisfazer minha vontade etc. Isso tudo pode ser traduzido em um simples não, simples na forma da palavra, porém muito complicado em sua execução.
Se você está lendo até aqui, é porque de alguma forma se identificou com o texto ou conhece alguém que tenha dificuldade em dizer não. Esse é um bom começo, reconhecer a dificuldade.
Algumas orientações para vencer o medo ou a angústia de dizer o não.
• Reconhecer essa dificuldade. Você não é e nunca será o único com esse problema.
• Olhe no espelho e diga não. Se enxergar dizendo não, é uma forma de visualizarmos essa nossa capacidade de resposta.
• Refletir constantemente sobre os nãos não falados. Se o caso, procure reparar isso, sua saúde emocional pode ser mais importante que o constrangimento de retificar sua resposta.
• Procure ajuda de um familiar ou um amigo que possa lhe auxiliar nas reflexões e no aprendizado de dizer não.
• Procure terapia. Existem casos que somente com ajuda de um profissional pode se obter resultados mais satisfatórios.
O objetivo deste breve texto é ajudar de alguma forma aqueles que tem dificuldades de dizer não, ao aceitar passivamente tudo ao seu redor. Dizer não pode ser uma atitude que precise de coragem, e para falta de coragem, o texto termina aqui com um grande não.